quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pré - Sal

(Estou organizando as imagens para postar)

Assunto de gente grande que também é de interesse dos pequeninos...

Estamos estudando essa semana sobre os Recursos Naturais renováveis e os Não renováveis. Como o petróleo é um recurso não renovável, achei interessante mostrar para as crianças como o petróleo surgiu e como é extraído. Nada melhor que apresentar também o pré-sal que é NOSSO!!!

 

Um lugar chamado Pré-Sal

Texto retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 23 Nº 209 –Janeiro e Fevereiro de 2010


O dia amanheceu tão lindo que Rex deu um pulo da cama decidido a ir à praia. Telefonou para a Diná, para o Zíper e pronto: num piscar de olhos, estavam os três amigos rumo a um programa que resultaria em muita diversão. O ônibus chegou e nossos mascotes logo se acomodaram. Rex e Zíper sentaram juntos e Diná ficou ao lado de uma moça, pegando carona na leitura do seu jornal. Estava tão concentrada nas notícias, que a moça, achando graça, perguntou:
- Você gosta mesmo de ler, hein?
- Ah! Desculpe! – respondeu Diná, reparando que estava quase caindo em cima da passageira. – Eu me empolguei com esse texto sobre o pré-sal. Nem sei o que significa, mas é tanta gente falando nisso, que resolvi me informar. Para dizer a verdade, não estou entendendo muita coisa...
- Ora, como você é curiosa – disse, entusiasmada, a companheira de viagem. – Pré-sal tem tudo a ver com petróleo, sabia?
- Não! – respondeu Diná muito surpresa.
- Posso lhe contar um pouquinho sobre isso, o trânsito está tão engarrafado... – ofereceu-se a moça.
- Puxa, muito obrigada! – falou Diná, emendando. – Meninos: ouçam a história que a minha nova amiga vai nos contar! É sobre o pré-sal...
Essa história começa há cerca de 150 milhões de anos, época em que os dinossauros ainda caminhavam por aqui. Nosso planeta passava pelo chamado período Cretáceo e, naquele tempo, o Brasil e a África (além da Índia, Madagascar, Austrália e Antártica) formavam um único bloco de terra chamado Gondwana. Imaginem: se Brasil e África estavam colados, onde estava o oceano Atlântico? A resposta certa é: ele não existia ainda.
Mas o tempo passava e Gondwana, esse território único, começou a apresentar buracos e lagos, que seguiam uma linha, como se fosse uma cicatriz.
Aqueles lagos, como qualquer lago hoje em dia, eram cheios de vida: havia peixes e muitos organismos microscópios. Saber um pouco sobre esses microrganismos é superimportante para entender a história do pré-sal. Então, guardem o seguinte: o conjunto desses microrganismos é conhecido como plâncton. Quando o plâncton morre, seus restos vão para o fundo dos lagos. Ao longo de anos e anos, esta camada de restos orgânicos (ou de organismos) vai engrossando, ainda mais porque se mistura com areia e outros sedimentos.
Há cerca de 130 milhões de anos, os tais lagos foram ficando mais profundos e começaram a se unir, formando lagos cada vez mais compridos. Foi então que a separação da África e do Brasil começou de fato. Na medida em que o tempo passava, Gondwana se quebrava, abrindo como um zíper.
A separação começou ao sul do Brasil, na altura do que hoje é o Rio Grande do Sul. Pouco depois, outra linha de abertura começou ao norte, na altura da Ilha de Marajó em direção ao Rio Grande do Norte. E assim, ao mesmo tempo, o Brasil – na verdade, toda a América do Sul – foi se separando da África, primeiro pelo sul e, depois, pelo norte.
O último ponto de rompimento aconteceu na altura de Pernambuco, no Nordeste. Só neste momento surgiu o jovem oceano Atlântico. A sequência de lagos que deu origem ao Atlântico funcionou como um papel picotado. Ao puxar cada lado do papel para uma direção diferente, teremos como resultado o corte de papel justamente na linha mais fraca, onde existe o picote.
Nossos três mascotes estavam adorando a narrativa, mas apressados que são, quiseram saber...



E o que o pré-sal tem a ver com isso?

Se acompanharmos bem o processo de separação entre Brasil e África, entendemos que na região Sul – mais especificamente na altura onde hoje se localiza a cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul – o rompimento de Gondwana aconteceu primeiro. Por isso, a água do mar entrou primeiro naquela brecha. Como se tratava de um espaço onde a água circulava de forma mais aberta, não havia deposição de sal.
Já do Paraná para o norte, a circulação da água do mar acontecia de forma mais restrita, porque existe uma bacia fechada na região. Numa bacia, a água permanece mais parada. Isso faz com que ela evapore mais facilmente e, assim, o sal se concentra, indo para o fundo do oceano.
O processo de evaporação é relativamente lento. Mas estamos falando de milhões e milhões de anos. Por isso, muito sal se depositou. Hoje, temos uma camada de sal que pode ter até dois mil metros de espessura!
Atenta como ela só, Diná quis saber se essa camada de sal estaria se depositando sobre os restos de plâncton, a matéria orgânica da qual se falou no começo da história...
Eis o pré-sal!
Sim! O sal está depositado em cima daquela camada de matéria orgânica, dos restos dos microrganismos que viviam nos lagos que marcaram o começo da separação entre os continentes. Então, essa camada de matéria orgânica, por ter se depositado no fundo do oceano antes do sal, é chamada pré-sal.
E o que há de mais especial em tudo isso é o fato de que, ao se decomporem, isto é, ao se desfazerem, os restos desses microrganismos (que são do tempo em que ainda não havia oceanos) se transformaram em uma pasta preta e viscosa que chamamos de petróleo.
Para que essa transformação ocorra, no entanto, é necessário algo mais: a camada com restos orgânicos precisa passar por processos de calor e pressão, que ocorrem nas profundidades da Terra como em uma panela de pressão. Assim como a panela de pressão precisa estar fechada para funcionar, a camada de restos orgânicos precisa de um isolamento, para que o efeito de temperatura e pressão funcione. Quem isola a camada orgânica pré-sal é justamente a camada de sal, cumprindo um papel fundamental na formação do petróleo.
Rex, com sua fama de explorador, quis saber se o petróleo era sempre extraído do pré-sal:
Onde mais o petróleo pode estar?
Às vezes, o petróleo escapa da camada abaixo do sal por espaços que os pesquisadores chamam de “janelas de sal”. Esse petróleo fujão acaba sendo absorvido por uma rocha denominada reservatório, que fica acima do sal e, por isso, também, recebe o nome de camada pós-sal.
A rocha reservatório funciona como uma esponja e fica encharcada de petróleo preservando-o, também, e permitindo sua exploração. Aqui no Brasil, a exploração do petróleo está concentrada principalmente no litoral, em regiões onde antes se localizavam aqueles antigos lagos, da época da separação dos continentes.
Até alguns anos atrás, esta extração do petróleo brasileiro ocorria principalmente nas camadas pós-sal, como as da bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A grande descoberta dos últimos tempos foi do petróleo nas camadas pré-sal, também nas bacias de Campos e nas de Santos, em São Paulo.
A descoberta de petróleo no pré-sal é muito importante para o nosso país, porque essa riqueza natural pode nos levar a um grande desenvolvimento. Mais importante ainda, porém, é que o desenvolvimento venha associado à preservação do meio ambiente e traga melhoria na qualidade de vida de todos nós, brasileiros.
No momento em que a companheira de viagem terminou a explicação, o ônibus parou bem diante da praia. Nossos mascotes agradeceram pelas informações e se prepararam para descer, quando Diná disse assim:
- Nunca mais vou olhar para esse mar, o oceano Atlântico, da mesma maneira!
Silvia Regina Gobbo
Instituto de Geociências, Universidade de Brasília

 

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula
Reconhecer o Pré- Sal como uma reserva petrolífera brasileira;
Reconhecer a importância da exploração dessa reserva e os impactos ambientais envolvidos;
Relacionar a ideia de desenvolvimento sustentável com a proteção dos sistemas naturais.

Duração das atividades
4h/a
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Reconhecer o petróleo como um combustível fóssil não renovável.
Estratégias e recursos da aula
Introdução: uma abordagem para o professor 
Ao planejar uma aula torna-se imprescindível que o professor se informe sobre o assunto, buscando em fontes variadas diferentes abordagens sobre o tema em estudo. Por outro lado, para que ocorra uma melhoria do ensino de ciências é importante participar de reflexões que envolvam as práticas educativas, investigação das concepções de ensinar, de aprender e de avaliar, dentre outros.
É importante considerar que somos eternos aprendizes: nas nossas relações com o outro; nas nossas relações com o conhecimento e com o mundo a nossa volta; nas nossas trocas com os teóricos que lemos e com os educadores que admiramos; e que também somos aprendizes de nossos aprendizes, daqueles que por nossa intermediação têm acesso e se apropriam dos saberes da ciência.
O tema desta aula foi escolhido, pois permite aos alunos refletirem sobre um assunto atual relacionado à autonomia do país na produção de petróleo: o Pré-Sal. Esperamos que as atividades propostas e o encaminhamento metodológico aliados ao seu fazer pedagógico contribuam para a reflexão do tema pelos alunos e para a formação da sua consciência ambiental.
O que é o Pré-Sal
As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobrás na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já identificado no pré-sal apresenta características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado. O termo pré-sal é utilizado para designar as rochas que formaram antes da camada de sal, no fundo do mar. A profundidade total dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros.

http://wirna.files.wordpress.com/2009/11/pre-sal-brasil.jpg - Acessado em 18/11/10. 

http://www.agracadaquimica.com.br/index.php?&ds=1&acao=quimica/ms2&i=2&id=570 - Acessado em 18/11/10. 
Estratégia:   
Como os alunos poderão atingir os objetivos propostos:
Os alunos poderão atingir os objetivos propostos através de conversa dialogada em que vão expor suas ideias a respeito do tema em estudo. Instigados pelas atividades exploradas no desenvolvimento da aula esperamos que os alunos participem das atividades e construam conhecimento sobre o assunto.   
Como o professor irá ativar esse processo:  
Levantando situações – problema para que os alunos emitam suas ideias sobre o assunto explorado, assistindo vídeos e trabalhando com texto sobre o tema em estudo.
Atividade 1: levantamento do conhecimento prévio
Nesse primeiro momento retome com os alunos as informações que já possuem sobre: o que é petróleo; por que o petróleo é um recurso não renovável; que produtos derivados do petróleo eles conhecem; como o petróleo e seus derivados podem  poluir o ambiente.
Nesse primeiro momento é importante verificar se os alunos relacionam o fato do petróleo ser um recurso não renovável ao tempo gasto pela natureza para produzi-lo, ou seja, milhares de anos. Outro ponto importante a ser retomado é o uso excessivo de seus derivados, que tanto geram um gasto desnecessário de um recurso que não se renova como causa alterações ambientais que comprometem a qualidade de vida em nosso planeta, tais como: aumento do efeito estufa e a chuva ácida. Sobre isso, você pode consultar a aula sobre chuva ácida dessa mesma equipe, publicada no portal.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=25385 
- Acessado em 18/11/10.
Atividade 2: debate
A seguir, proponha como atividade a ser realizada na próxima aula, um debate tendo como tema: Qual a importância do petróleo no mundo atual? Que alternativas energéticas podem ser usadas para reduzir o consumo do petróleo?
Escolha quatro alunos para debaterem o assunto, fornecendo-lhes algumas fontes de consulta para que se preparem para a aula seguinte. Os outros alunos devem ser incentivados a fazer perguntas aos debatedores, após a apresentação inicial. Organize a turma em um semicírculo e cada debatedor terá 5 min. para expor suas ideias iniciais sobre os assuntos em pauta.
Para incrementar o debate, disponibilize para a turma notícias atuais de jornais e revistas, incentive a busca de informações na internet, que possam ser usadas como argumentos que enriqueçam as discussões. Você pode solicitar que a turma assista os jornais de TV nos dias anteriores e que anotem as informações que possam ser usadas durante o debate.
Ao final da atividade proposta, avalie o desempenho dos debatedores e participantes. Verifique se ficou evidenciada para todos os participantes a importância econômica do petróleo e seus derivados no mundo atual, pela sua utilização em diferentes setores da indústria, para o funcionamento de diferentes meios de transporte, pavimentação de estradas entre outros.
Durante os debates, verifique se os debatedores ou participantes mencionaram a descoberta do Pré-Sal como uma das grandes possibilidades do Brasil expandir a sua produção de petróleo, ficando entre os maiores produtores desse recurso energético do mundo.
Atividade 3: exibição de videos
Para esse momento, sugerimos a exibição de vídeos produzidos pela Petrobrás e outras fontes sobre a descoberta e exploração do pré-sal.
http://www.youtube.com/watch?v=6XaGYcV8TOM&feature=related – Pré-Sal – uma nova etapa na exploração do petróleo.  
http://www.youtube.com/watch?v=7iSHXD5-xPs – Vídeo Pré-Sal. Acessados em novembro de 2010. 
Após a exibição dos vídeos, discuta com os alunos as informações veiculadas. Verifique se eles compreenderam o que significa uma reserva de petróleo localizada em uma camada pré-sal; se compreenderam como a Petrobrás descobriu e pretende explorar essa reserva e a importância dessa descoberta para o povo brasileiro; quando e onde essa reserva se formou.
Chame a atenção da turma sobre os destaques feitos em termos de preservação ambiental ao se explorar essa reserva e como o Brasil cresce no cenário internacional com essa descoberta.
Atividade 4: análise de gráficos
Nesta atividade sugerimos analisar com a turma os gráficos apresentados sobre o Pré-Sal, bem como a produção coletiva de um texto sobre o assunto. Para isso, apresente e discuta com a turma os gráficos a seguir:
Neste primeiro gráfico são apresentadas as diferentes profundidades de exploração do petróleo no mar, o nome das reservas e o ano que se iniciaram as explorações, pela Petrotrás.
Interprete os dados com a  turma. Relacione esses dados com as informações dos vídeos assistidas anteriormente. Chame a atenção dos alunos para a diferenças entre as profundidades exploradas na década de 90 para as atuais.

Discuta com a turma as informações dessa imagem destacando o que é o Pré-Sal, em que região brasileira ele está localizado e sua profundidade. Discuta também os dados da escala.
Mapa da região Brasileira onde se localiza o Pré-Sal

http://geopoliticadopetroleo.files.wordpress.com/2009/01/petrobras-mapa-pre-sal.jpg 
- Acessado em 18/11/10.
Compare as informações do mapa com as informações dos vídeos. Quais os Estados Brasileiros fazem parte da área do Pré-Sal?
Ao final dessa atividade, elabore com a turma um texto com as ideias básicas trabalhadas nesta aula. Consulte previamente o endereço sugerido. Nele você encontra informações interessantes para facilitar a organização do texto com a turma.
http://www.agracadaquimica.com.br/index.php?acao=quimica/ms2&i=2&id=570 – Pré-Sal. Acessados em novembro de 2010. 

O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo. Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros.
As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobras na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, onde se encontrou grandes volumes de óleo leve. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre. São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado.














































Recursos Complementares
http://www.suapesquisa.com/geografia/petroleo/camada_pre_sal.htm - O pré-sal. 
http://www.agracadaquimica.com.br/index.php?acao=quimica/ms2&i=2&id=570 – Pré-Sal. Acessados em novembro de 2010.  
Um lugar chamado PRÉ-SAL – Ciência hoje das crianças, nº 209, ano 23 de janeiro/fevereiro de 2010.
Avaliação
Avaliar numa perspectiva formativa implica estar atento à construção de conhecimentos conceituais, comportamentais e atitudinais de nossos alunos. Por isso é importante estar atento a todo o percurso do aluno enquanto aprende: suas ideias iniciais, aquelas apresentadas durante a investigação, à maneira que relaciona com os colegas, sua atitude investigativa e crítica, no decorrer da aula. Feitas estas considerações, propomos mais um momento para que os alunos sejam avaliados. Sugerimos que os alunos respondam as questões propostas em casa ou na escola. É importante que possam buscar informações que ampliem o que foi estudado.
Para responder as questões apresentadas a seguir, use as informações da aula de hoje e complemente suas respostas com outras informações que podem ser buscadas na internet.
  1. Do petróleo nada se perde. Que produtos podem ser feitos a partir do petróleo?
  2. Qual a importância da descoberta do petróleo na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo?
  3. Por que a queima de combustíveis fósseis aumenta o efeito estufa e provoca a chuva ácida?


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